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População de Viana desafiada a usar o traje tradicional durante os dias da Romaria d’Agonia


Em vez de levaram a roupa do dia-a-dia, desafiamos as mulheres de Viana do Castelo a trajarem durante os dias das festas. Se vierem à cidade enverguem o traje. Se saírem para ir trabalhar, para ir às compras, ao café ou jantar fora, que o façam trajadas. Seja de manhã, à tarde ou à noite", disse hoje à agência Lusa o presidente da Associação de Grupos Folclóricos do Alto Minho (AGFAM), Alberto Rego.


Este ano, pela primeira vez em mais de 248 anos, por causa do surto do novo coronavírus, os números da Romaria d'Agonia, que decorre entre os dias 19 e 23, e que são habitualmente vividos nas ruas da cidade, serão celebrados em formato digital, devido às restrições impostas pela pandemia de covid-19.

Alberto Rego explicou que o apelo ao uso dos trajes durante as festas foi, inicialmente, lançado aos 28 grupos folclóricos do concelho, mas o "interesse manifestado pelas pessoas" alargou o repto a toda a cidade.

"Muitos vianenses possuem os seus próprios trajes e gostam de os vestir durante as festas. Que o façam este ano, passeiem pelas ruas da cidade, individualmente e, para sua segurança e dos outros, com o devido distanciamento social. Queremos que as pessoas deem brilho à cidade, mas que sejam cumpridos todos os cuidados, sem aglomerações, exibições ou desfiles", destacou.

Para Alberto Rego "Viana do Castelo tem de saber cultivar os valores que herdou", apelando a que as pessoas, "tal como acontece noutras cidade da Europa, enverguem os trajes tradicionais em datas importantes".

"Nós não estamos a inventar nada. Só estamos a pedir o que se fazia há mais de 100 anos. Tal como dizia Ramalho Ortigão, a mulher de Viana do Castelo, além de todo o trabalho doméstico que tinha, criou, por necessidade, o seu próprio traje. Não nasceu com a beleza que hoje lhe conhecemos, foi sendo enriquecido. Temos de ter orgulho nos nossos antepassados e temos de saber projetar isto para o futuro", defendeu.

A mobilização começou junto dos grupos folclóricos para "mostrar que há festa, mas sem pôr em causa as regras de impostas pela pandemia de covid-19".

"O objetivo é que todos os dias sejam grupos folclóricos diferentes a participar, criando conjuntos com reduzido número de elementos, duas a três pessoas, preferencialmente que coabitem. Apelamos a que evitem as aglomerações, mas que ajudem a transformar a edição 2020 da Romaria d'Agonia num momento único. Quem visitar Viana do Castelo poderá não ver o desfile da mordomia, os cortejos, as atuações, ou os desfiles noturnos, mas se cada um envergar o traje e o exibir pela cidade, as festas ganharão muita da cor vibrante que é habitual", referiu.

O desfile da mordomia, que abre o programa das festas e que, em 2019, juntou mais de 600 mulheres, de sete países, envergando todos trajes de festa de Viana do Castelo, é um dos momentos emblemáticos da romaria.

O traje assume-se como um símbolo tradicional da região, nas suas várias formas, consoante a ocasião e o estatuto da mulher. Em linho e com várias cores características, onde sobressaem o vermelho e o preto, foi utilizado até há mais de 120 anos pelas raparigas das aldeias em redor da cidade de Viana do Castelo.

Uma tradição cada vez mais enraizada entre as jovens e mulheres de Viana do Castelo e que junta várias gerações, num quadro único e colorido pelos vermelhos, verdes e amarelos dos típicos e garridos trajes das diferentes freguesias.

Neste número, algumas das mulheres chegam a carregar dezenas de quilos de ouro, reunindo as peças de famílias e amigos num único peito, simbolizando a "chieira" [termo minhoto que significa orgulho e vaidade] e outrora o poder financeiro das famílias.

"A Romaria d'Agonia de 2020 manterá a cor dos anos anteriores e as ruas continuarão a ser das Vianesas", rematou Alberto Rego.


Notícia da Agência LUSA de 2020.08.05

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