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Faz hoje 21 anos. A chegada do Gil Eannes a Viana

Foi há 21 anos, a 31 de janeiro de 1998, que o Navio Hospital Gil Eannes regressou à cidade de Viana do Castelo depois de resgatado da sucata, para ser transformado em Navio Museu. Aberto ao público nesse mesmo ano, espera-se que atinja um milhão de visitantes ainda durante 2019.
Construído nos extintos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, prestou, durante décadas, assistência médica a pescadores da frota bacalhoeira portuguesa e de outros países que atuavam nos bancos da Terra Nova e Gronelândia. Desativada a frota bacalhoeira, ficou a apodrecer nas docas de Lisboa, durante muitos anos.

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Gil Eannes atualmente na antiga doca comercial, como Navio Museu

Gil Eannes no dia da chegada a Viana, janeiro de 1998

Gil Eannes no dia do batismo, março de 1955

A história deste navio, contada por quem o construiu (Texto retirado do site dos extintos Estaleiros Navais de Viana do Castelo) 
Este "Gil Eannes" veio substituir um outro navio com o mesmo nome e que desempenhou ao longo dos anos a mesma missão nos mares da Gronelândia. É óbvio que o "Gil Eannes" que construímos dispunha de condições que o seu antecessor não poderia ter, já que não tinha sido feito para a actividade que desempenhou e só conseguida depois de reconvertido.  
O "Gil Eannes", em 1955, na primeira viagem, iria assistir uma frota pesqueira de 70 unidades, com uma arqueação bruta de 64.093 toneladas e capacidade para 950 mil quintais de peixe, tendo a bordo cerca de 4.900 tripulantes.  
Era um hospital flutuante. Composto por 3 pavimentos devidamente apetrechados para todas as situações hospitalares, a sua capacidade permitia-lhe receber até 70 doentes.  
No primeiro pavimento, estavam instalados os gabinetes de consulta e de radiologia, apetrechados com o material mais moderno para a época.  Dispunha ainda de salas de espera e tratamento, câmara escura, enfermarias completamente isoladas para doentes infecto-contagiosos, com serviços sanitários e com privativos: camarotes dos dois médicos , capelão e biblioteca, alojamento para 12 convalescentes, refeitório e sala de estar, copa das restantes enfermarias, farmácia, depósito de medicamentos, arrecadação da roupa dos internados, lavandarias, secagem e engomarias comuns, etc.
No segundo pavimento, ficavam uma enfermaria para oficiais, outra para doentes em observação, com os respectivos serviços sanitários, a enfermaria geral com 40 camas subdivididas por divisórias, servidas por largas janelas que davam a possibilidade aos doentes de poderem assistir dos seus leitos e em conjunto à celebração da missa. A vante desta enfermaria, este pavimento dispunha também dos alojamentos dos enfermeiros, sala dos curativos e gabinete do enfermeiro de vela.  
No terceiro pavimento, localizava-se o bloco operatório e de ortopedia, constituído por ampla sala de operações , apetrechada do necessário material, salas de desinfecção e esterilização, gabinete de agentes físicos e laboratório de análises.  
Os 3 pavimentos ligavam-se por amplas escadas e elevador com maca para transporte de doentes. Em situações de emergência, a lotação do navio podia ir até aos 320 doentes.  
O "Gil Eannes" dispunha, como se subentende, de local de culto. Para além da capela da enfermaria, possuía o navio de uma capelinha que abria a toda a largura da tolda, onde sobressaía um artístico painel a óleo, da autoria do pintor Domingos Rebelo, representando ao centro Nossa Senhora dos Mares e tendo aos lados um pescador e um grupo familiar .  
A coordenação dos trabalhos de recuperação, que só se tornaram possíveis graças à colaboração dos ENVC e a cerca de duas dezenas de sub-empreiteiros, esteve a cargo do Sr. Gabriel Amorim, técnico dos ENVC.  
O "Gil Eannes" foi adquirido pela Comissão Pró Gil Eannes e encontra-se neste momento na antiga doca comercial de Viana do Castelo a funcionar como Navio Museu. 

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